terça-feira, 25 de março de 2014

A ILUSÃO DAS DEMOCRACIAS OCIDENTAIS

Os bons resultados da extrema-direita em França, tiveram o condão de acordar e lançar o alarme nas hostes, ditas democráticas, que laboriosamente militam na UE.
É difícil de entender semelhante surpresa, uma vez que a História está recheada destes exemplos e das suas consequências. A verdade é que como conceito, a Democracia é sedutora, mas na prática poucas vantagens tem trazido à maior parte das populações, a não ser quando exercida em contexto internacional não igualitário. Já sem falar no domínio do Império Britânico, a poderosa América, com os seus 250 anos de Democracia, não diminiu as assimetrias sociais, sonegou o Estado Social, considerando-o socializante, e após as tristes cenas do Mcarthismo, depois dos atentados de 11 de Setembro, aprovou uma lei infame e descriminatória, o “Patriot Act”, que perverte de forma definitiva todas as liberdades e garantias de que qualquer cidadão deveria benificiar.
Poderá parecer que neste texto transparece alguma ideologia anti-democrática, o que não é verdade. O que acontece é que a chamada Democracia Ocidental tornou-se num dos maiores logros da História, no qual uns acreditam, outros querem desesperadamente acreditar e ainda outros gostariam de ter razões para acreditar. No fundo, a crença na Democracia, no mundo que nos rodeia, pouco mais é do que um acto de Fé!
Quando se fala em Democracia, o que logo sobressai é o conceito de Liberdade Individual. Mas será que esta existe? No emaranhado jurídico que rege o funcionamento da Sociedade, o afã de derimir diferenças culturais, ideológicas, ou mesmo materiais, retiram ao indíviduo qualquer capacidade de usar a sua Liberdade Individual, de tal forma ela está tolhida pela Liberdade dos outros. Portanto, haja algum cuidado quando se içam as bandeiras da Liberdade! Ela está de tal forma condicionada, que pouco pode existir para além do reino do pensamento e da opinião.
Exemplificando com o surrealismo de um caso verídico: No tempo do Serviço Militar Obrigatório, e sendo à época Diogo Freitas do Amaral Ministro da Defesa, surgiu o movimento dos Objectores de Consciência, que invocando incompatibilidades religiosas ou morais, se furtavam ao ao SMO. Rápidamente o Governo da altura decidiu tipificar, e aceitar, os Objectores de Consciência, pelo que os ditos teriam de apresentar um atestado, assinado por um sacerdote do seu culto, atestando a sua qualidade de Objectores de Consciência (!). Numa entrevista dada à televisão, Freitas mostrava-se preocupado, não com os Objectores de Consciência, mas sim com os “falsos Objectores de Consciência” (!!). Alguém conseguirá definir um “falso Objector de Consciência”?
E enfim... Rodeados deste furor controlador e pseudo-igualitário, é fácil de perceber que espécie de  Liberdade os cidadãos poderão esperar desta nossa Democracia.
Simultâneamente à popularização dos conceitos de Democracia, a partir do Sec. XIX a alta finança descobriu a mina das dívidas soberanas, e assim, financiando guerras, revoluções e golpes de estado, foi prosperando. Dizia o velho patriarca, o Barão de Rotschild: “É-me indiferente quem governa, desde que eu tenha o controle da moeda...”
E assim correu o Sec. XIX. A entrada no Séc. XX foi estrondosa! Uma guerra mundial em 1914, uma crise financeira generalizada em 1929 e mais uma guerra mundial em 1939. Foram destruídas Nações, procederam-se a vários genocídios e cometeram-se enormes atrocidades no Holocausto, nos Gulags, no Vietnam, no Laos e mais recentemente na Bósnia e no Kosovo. E quem não pestanejou? A alta finança!
Após a completa desregulação dos mercados levada a efeito por Ronald Reagan, diligentemente secundado por Margaret Tatcher, a globalização veio dar o golpe final na independência do poder político, tornando-o definitivamente refém do poder financeiro. Assim, o capital desloca-se no Mundo, sem “rei nem roque”, ditando as suas regras, transformando de forma definitiva o dinheiro, de simples meio de pagamento, em uma mercadoria em si própria, criando uma teia impenetrável de negócios que aparentemente transformam em activos de alguém, produtos que na verdade são passivos de outro alguém, convertendo assim a moeda numa espécie de notas de “monopoly”, que mesmo não valendo nada, é-lhes atribuído como bom o valor facial impresso naqueles pedaços de papel.
Com o poder político totalmente capturado pelos grandes interesses financeiros e especulativos, rápidamente a Economia passou de ciência a jogo de azar, o que permitiu ganhos fabulosos a quem nada produz e aumentou a pobreza de quem realmente trabalha, o que na realidade é um paradoxo. Como entender que um especulador internacional como George Soros tenha conseguido em 1992 fazer um ataque, aliás bem sucedido, à toda-poderosa Libra Estrelina, obrigando o Reino Unido a proceder à sua desvalorização?
Criou-se pois uma élite mundial, sem pátria e sem escrúpulos que se dedicou, entre outras tropelias, ao ataque sistemático das dívidas soberanas. O aparecimento do Euro, mal estudado e mal arquitetado, já que apenas potencia as desigualdades entre estados, veio ao encontro da sanha e da gula dessa élite financeira, que lhe fincou o dente e jamais largou. Com uma Europa dependente do refinanciamento permanente de uma dívida que aumenta na proporção directa da sua incapacidade de crescimento económico, esta acabou por se tornar numa carcaça moribunda e apodrecida, na qual  nenhum abutre resiste a dar uma bicada.
Neste contexto, Portugal, e não só, fará rigorosamente o que lhe mandarem!
Não há qualquer margem de discussão, já que basta fechar a torneira para que o País fique sem forma de pagar as suas obrigações, o seu Estado Social, os ordenados ou as pensões. Portanto, a pergunta que se impõe, é para que é que serve a Democracia? Ouvem-se imensos processos de intenção. Uns “exigem” a reestruturação da dívida, outros que básicamente esta não seja paga e outros ainda, admitindo que Portugal tem de honrar os seus compromissos, dizem que isso é impossível, os mais irrealistas advogam que os interesses do Povo estão antes dos interesses dos credores. Pena não terem pensado nisso enquanto iam alegremente endividando o país...
Esta situação não é um duvidoso previlégio nacional, mas antes uma chaga que vai grassando e alastrando por essa Europa política, que agora atónita, se vê como uma espécie de Republica de Weimar, o que no fundo não deixa de ser um diagnóstico correcto.
Assim, deixando as decisões políticas ao sabôr dos ciclos eleitorais, os Europeus balançam na escolha entre “lume e a frigideira”, sem que outra perspectiva se lhes apresente, a não ser o regresso ao proteccionismo, o reafirmar de uma Europa-fortaleza, afundando desapiedadamente todos os esquifes que rumam a Lampedusa e protegendo descaradamente a sua agricultura e indústria, isolando-se assim de um mundo que alegremente deixou que fosse construído à sua volta, expendendo sempre grandes princípios de igualdade e liberdade, dos quais abdicou sorrateiramente a troco de alguns pratos de lentilhas encapuzadamente traficados no seu interior.
Perante este triste cenário, apenas restaria ter esperança que uma Nova Ordem Mundial mais justa, mais equitativa e menos cruel se instalasse no mundo. Como é uma completa utopia esperar que isto possa acontecer de motu-próprio, parece cada vez mais próximo e inevitável um cenário de conflito generalizado.
Não se procedendo a uma purificação pelo fogo, que tão útil se tem mostrado para a sobrevivência da espécie humana, restará dobrar de vez a cerviz e assumir que a geração actual, terá sido eventualmente a última geração a gozar de alguma liberdade. Daqui para a frente, com Governos a privatizarem lucros e a nacionalizarem prejuízos, a concederem a exploração de monopólios a troco de dinheiro e a dilapidarem despudoradamente os recursos nacionais, as gerações vindouras constituirão uma nova casta de escravos, que pouco mais poderão fazer do que trabalhar pela sua parca subsistência, ou tentar apanhar um difícil e escasso elevador social que os leve ao convívio da casta dominante, sendo que este elevador não tem andares intermédios e muitos pretendentes aos poucos lugares disponíveis.
Futuro negro?
Definitivamente!


quinta-feira, 13 de fevereiro de 2014

AS INSEGURANÇAS DE SEGURO

Com um ar profundamente estarrecido, António José Seguro afirmava ontem numa qualquer reunião, largamente difundida pelos “media”, que os Portugueses estavam perante a maior operação de propaganda, levada a cabo em tempos de democracia, com o intuíto de os enganar e de mascarar o enorme fracasso do Governo.

A afirmação, já de si espantosa, parece querer branquear tudo o que foi a propaganda da era Sócrates e que trouxe Portugal ao actual estado de coisas. Por outro lado, provávelmente sem se aperceber, está a ofender e a minimizar o enorme esforço que a Sociedade Portuguesa tem feito no seu todo, para permitir ao Governo estabilizar e diminuir, tanto o déficit como a dívida pública.

É claro que o actual Governo cometeu imensos êrros, não só técnicos, como políticos, o que lhe granjeou uma enorme impopularidade, magistralmente orquestrada pelos partidos mais à esquerda, através das suas habituais correias de transmissão sindicais. No entanto, um enorme e estoico cívismo, aliados à compreensão da dimensão do problema, levaram a que o Povo Português, resmungando e refilando, tenha vindo a dar uma lição de inesquecível resiliência a todos o que olham do exterior, e nas mãos de quem, infelizmente se encontra a verdadeira resolução dos problemas.
E o que faz então Seguro? Com dados consistentes provenientes do INE, que ninguém de bom-senso ousa pôr em causa, entra em profundo estado de negação, e menospreza as melhorias económicas, os dados do desemprego, os índices de confiança, os de produção industrial, e grita aos quatro ventos que se trata de propaganda governamenta!

E o que propõe como alternativa? Nada!

Insiste na baixa do IVA da restauração, que apenas vem compensar as dezenas de anos que estes estabelecimentos, de modo generalizado, fugiram ao fisco, prejudicando os outros contribuintes. Apresenta uma ideia estapafúrdia que consistiria em criar um Tribunal especial para grandes investidores (os pequenos que se lixem!), à boa moda Portuguesa já foi afirmando que revogará uma parte considerável das medidas que este Governo tomou, e pasme-se, vitupera a Coligação Governamental por esta não ter capacidade de “bater o pé” no âmbito das instâncias Europeias.

Hollande foi a grande bandeira Socialista. Uma espécie de messias que viria salvar a Europa das crueis garras da águia Teutónica. À boa moda Francesa, meteu o rabo entre as pernas e foi o que se viu! Nem vale a pena falar dos inimagináveis indíces de impopularidade que esforçadamente se esmerou em conseguir.

Depois exultou com os resultados das eleições Alemãs, apregoando aos céus que a influência do SPD na coligação Alemã, iria de uma vez por todas temperar a insensibilidade de Frau Merckel. Nem foi preciso um mês. O SPD rápidamente vendeu os seus ideiais Europeístas a troco de um salário mínimo na Alemanha. De facto nunca mais o nosso Partido Socialista voltou a falar dos Sociais Democratas Alemães do SPD...

Sobraria então como grande paladino, António José Seguro. Não fossem os resultados económicos, que embora débeis, por aí despontam, e ele bem poderia continuar a perorar por aí. Não sendo assim, a vida começa a tornar-se-lhe difícil, e como tal, Seguro começa a enveredar pelo disparate, negando as evidências. Resta-lhe pois argumentar que estes resultados não foram obtidos pela Governação, mas sim pela conjuntura externa. Pois...

Basta estar com um pouco de atenção e ler os sinais de fumo!

António Costa, como é seu costume, lá vai fazendo a sua política sem se comprometer com nada, mas dando as suas ferroadas sempre que posível. Carlos César protagonizou um “convida/desconvida” como cabeça de lista às eleições Europeias, Ferro Rodrigues vai avisando que é exigível a Seguro, uma muito expressiva vitáoria nas Europeias, e ainda hoje Francisco de Assis dá à estampa um artigo, que básicamente se resume na principal conclusão, exigindo “opções claras e difíceis. Opções essas que se devem manifestar já nas próximas eleições Europeias. Ora isso é muito mais importante do que a questão da escolha de um conjunto de personalidades para a constituição de uma lista eleitoral”, escreve Assis.

Ora a posição de Seguro, nestas areias movediças partidárias, não é brilhante. É preciso lembrar de que ele ascendeu à sua actual posição de Secretário Geral do PS, após anos de eclipse, em que como uma formiguinha foi trabalhando junto das distritais e concelhias do PS, trabalho esse que lhe rendeu a vitória e o guindou a Secretário Geral. Sabendo bem como funcionam os aparelhos partidários, não será difícil imaginar o rôr de promessas e negociatas políticas levadas a efeito nessa altura. Agora, como fácilmente é fácil de prever, muita gente está a apresentar a factura, criando-lhe as maiores dificuldades, como se não bastassem as criadas por uma ala Socratista que não o pode nem ver...

De facto começa a ser difícil de entender que após dois anos e meio de um Governo trapalhão, pouco participativo e extremamente impopular, o PS não consiga realmente descolar nas sondagens, limitando-se a pairar sobre o PSD/CDS a escassos metros de altura, e arriscando-se mesmo a dar um trambolhão se os sinais de retoma se tornarem mais expressivos e robustos.

E assim vai a desdita de Seguro. Sem ideias, sem projectos e com um partido dividido, pouco mais lhe resta do que esbracejar de forma inconsequente, tentando a todo o custo manter-se à superficie. De facto, bem vistas as coisas, Seguro está na realidade muito inseguro!

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

A MISERANDA JUDICIALIZAÇÃO DA POLÍTICA

Já no Sec. III, Servius Sulpicius Galba reportava para Roma, que na Lusitânia, existia um povo que não se governava nem se deixava governar.
Dezoito séculos depois, há que admirar a capacidade de observação e lucidez deste General Romano, pois na realidade, durante este largo espaço de tempo, pouco ou nada mudou nas mentalidades e indiosicracias do povo Luso.

É realmente extraordinário, e há que reconhecer méritos, pensar que existe alguém neste jardim à beira-mar plantado que pense ser possível governar esta gente, que para além dos proverbiais níveis de ignorância e iletracia, acha-se sempre coberta de razão.

Como governar um País, no qual se supõe existir uma democracia representativa, quando as decisões políticas, tomadas na legitimidade dos mandatos populares, é semprte – ou quase sempre – contestada, e desagua numa torrente de providências cautelares, que em última análise irão ser apreciadas por juízes, ou juízas, de competência discutível e de imparcialidade duvidosa?

O último exemplo, e por sinal paridgmático, é a aprovação em Conselho de Ministros do novo mapa judiciário.

Há anos que é discutida a necessidade de ajustar o referido mapa às condições demográficas do País, mas no momento da decisão, logo se levanta um clamôr indignado sobre as decisões tomadas.

A federação das corporações em que estão inseridos os agentes judiciais, desde juízes, magistrados, advogados, sindicatos de oficiais de justiça – e desconhecemos a posição dos porteiros e das mulheres da limpeza – abespinham-se em relação a uma reforma, que o mais simples bom senso reputa de fundamental.
Ao que parece, serão encerrados 20 tribunais e outros 27 serão transformados em balcões de proximidade. Chega a ser penoso ouvir um Juíz Conselheiro, como Rui Rangel, referir que um balcão de proximidade não tem a diginidade suficiente para lidar com um processo. Será mais digno observar o penoso rastejar da justiça que se mostra incapaz de resolver de forma expedita e eficiente os casos mais mediáticos e que envolvem gente importante?

Depois surge aprumado o provincianismo autárquico!

Presidentes de Câmaras Municipais com comarcas que gerem pouquíssimos processos, acusam o Governo de desertificar o interior do país, quando o encerramento dos tribunais resulta dessa desertificação e não o contrário. Certos autarcas expendem por vezes justificações espantosas, tais como, por exemplo, afirmar de que a economia local sofrerá grandes danos, pois cafés e restaurantes da zona sobrevivem à custa do movimento judicial. A pergunta que se impõe, é saber se será obrigação dos contribuintes, a viabilização do pequeno comércio e a restauração nessas localidades, dando-lhes através de um tribunal, o movimento comercial que doutra forma não teriam.

Bem vistas as coisas, é completamente caricato!

A justiça, através dos seus agentes, deveria ser o garante da democracia e da equidade na Sociedade Portuguesa. Uma institução que a todos deveria proteger, ou punir, de forma expedita, rápida e equitativa. Infelizmente não é isso que se passa. Bem podem clamar juízes, magistrados e advogados, que a justiça é bem mais eficiente do que a percepção que dela têm os cidadãos, mas esquecem que essa percepção é muito mais importante para a sociedade do que aspectos técnicos, burocráticos e obscuros, atrás dos quais são exímios a se dissimularem.

Infelizmente para a nossa Sociedade, a justiça que temos, de cariz Napoleónico, estagnou em meados do Sec. XIX e assim se tem arrastado até princípios do Sec. XXI. Burocrática, cinzenta, estúpidamente formal, senhora de um jargão quase incompreensível para o comum dos mortais, esconde-se atrás de rituais anacrónicos para negar aos cidadãos a explicação lógica do seu funcionamento.
Bastou a lei ser aprovada em Conselho de Ministros, para logo choverem providências cautelares, intrepostas por autarcas despeitados. Estas providências cautelares irão ser apreciadas por juízes que inevitávelmente serão partes interessadas no assunto, quando não com inclinações ou ambições políticas não confessadas. Definitivamente Portugal caíu na grande armadilha que é a judicialização da política, fazendo desta uma mera leitura da lei e impedindo-a de fazer aquilo que à política está destinado: Escolhas e opções de políticas e modêlos.

E assim, a juntar à praga em que se tornou a funcionalização do pessoal político/partidário, que hoje em dia pouco difere de uma burocrática repartição pública, temos agora as decisões políticas observadas à luz de um código civil e administrativo que não foi elaborado para prrencher estas funções.

Ao cabo destes dezoito séculos, apenas nos resta prestar tributo a Servius Sulpicius Galba, que mercê a sua cultura e inteligência, definiu em duas penadas as características de um povo capaz da proeza de não ser capaz de evoluir, nem sequer depois de tantos séculos.

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

OS MIRONES DE MIRÓ

Com inexcedível zêlo, Portugal e os Portugueses mais uma vez patentearam ao mundo o seu provincianismo e o paroquialismo que tolhe o país e de que enfermam as suas instituíções.
O momentoso caso da colecção dos quadros de Joan Miró, parte da massa falida do extinto BPN, teve o condão de trazer ao de cima todas as idiotices e incompetências nacionais.
Segundo notícia publicada hoje no jornal Público, à data de 2006 o BPN possuía uma colecção de cerca de duzentos quadros de Miró. Ora a ser assim, o que se impõe perguntar é o que terá acontecido aos restantes 115 quadros, se de facto estes 85 que estão na berlinda tão importantes são para a cultura nacional, o que terá sucedido aos outros de que nunca se ouviu falar. Por outro lado, se estes quadros passaram para a mão do Estado aquando a nacionalização do BPN, porque só agora, ao fim destes anos todos se levanta este clamôr de indignação e este clima de polémica, àquilo que aparentemente não passaria de um avisado acto de gestão.
Segundo nos é dado a saber, estes quadros transitaram para a propriedade da Parvalorem e Parups, empresas criadas com o único objectivo de recuperar créditos do BPN, que com a sua venda pretendiam assim minimizar os prejuízos, que mercê o atabalhoado e mal conduzido processo de nacionalização do banco, fatalmente recaírá sobre os contribuintes.
Em primeiro lugar há que interrogar os responsáveis pelo Ex-Ministério da Cultura do último Governo Socialista, porque é que a colecção, aparentemente tão vital à cultura dos Portugueses, esteve estes anos todos encerrada nos cofres da CGD. Se este património era tão valioso, inclusivamente para o turismo cultural, que fazia ele escondido na ecuridão das profundezas da caixa forte da CGD?
Como tem sido habitual, a oposição nacional, também ela serôdia e paroquial, começou por transformar um normal acto de boa gestão, num caso judicial – o que já vem sendo hábito – e finalmente tornou-o num enorme imbróglio político, lançando uma enorme questão na Sociedade Portuguesa, discutida nas redes sociais, jornais e programas de rádio e televisão, nos quais todos se sentem autorizados a dar uma opinião. Assim chegamos ao ridículo de ouvir naqueles programas de tv e de rádio, que têm a participação dos telespectadores ou ouvintes, motoristas de táxi, domésticas Alentejanas ou agricultores Minhotos, expenderem as mais doutas opiniões sobre o destino a dar à colecção do falecido BPN, sendo que provávelmente ignoram sobre o que está a falar, sem saber quem foi Joan Miró ou mesmo sem serem capazes de reconhecer uma obra do pintôr, nem que lha esfregassem na cara.
Realmente, toda esta situação não deixa de ser tão surrealista, que de longe abafa o surrealismo do pintor Catalão.
Uma empresa pública de direito privado, a Parvalorem, pretende abater um passivo monumental. Rápidamente é movida uma providencia cautelar para o impedir e que não é aceite pelo tribunal. Mas as juíza, como a maior parte dos nossos magistrados quis ir mais longe, e em vez de se ater à providência cautelar sobre a venda deste espólio, questionou a legalidade da saída das obras, algo que não lhe tinha sido perguntado. A partir daí, começou o pandemónio, com opiniões de tudo e de todos, incluíndo a “abalizada” opinião do Comendador Berardo, que muito gostaria de juntar esta colecção áquela que alugou ao Estado Português, num estranhíssimo contrato de comodato, que nos tem custado os olhos da cara.
Por outro lado, não estando classificada pela Direcção Geral do Património Cultural, custa muito entender este burburinho, já que o artigo 68º da Lei de Bases do Património Cultural diz que “salvo o acordo do proprietário, é vedada a classificação como de interesse nacional ou de interesse público do bem, nos dez anos seguintes à sua importação ou admissão”. Mediante isto, está bom de ver que nada impediria uma venda de legal dos quadros e tudo o que se tem dito e afirmado sobre o assunto, não passa de fogo de vista político e da habitual demagogia.
Enfim, nada poderia ser mais ridículo!
Aos tais taxistas, domésticas e outros intervenientes populares que acham criminoso vender a colecção Miró, seria bom perguntar-lhes se concordariam, na actual situação, em agravar os seus impostos se o Governo decidisse comprar, por exemplo, uma colecção de Picassos ou Dalis. É claro que não concordariam, e logo viria a lamúria dos sacrifícios impostos aos Portugueses e do seu empobrecimento colectivo, mas a verdade é que essa hipotética compra, teria rigorosamente o mesmo efeito do que terá a não venda da colecção Miró.
Após este espectáculo pouco dignificante, a Sociedade Portuguesa em geral e a classe política em particular, deram ao mundo uma imagem da sua verdadeira natureza: No fundo não passam todos de uns mirones de Miró, saloios, provincianos e ignorantes.




terça-feira, 1 de outubro de 2013

O DIREITO DE NÃO VOTAR!

No rescaldo das recentes eleições autárquicas, uma grande confusão foi estabelecida em relação aos votos em branco, votos nulos e à abstenção.
 
Afirmou-se por aí, a torto e a direito, que o acto de votar consistia num dever cívico, derivado de um direito conquistado, sendo que qualquer abstencionista passou a ser considerado um transfuga do sistema, possuidor de pouca cultura democrática e menorizado na sua capacidade de criticar o sistema, pelo facto de não ter participado nesta farsa eleitoral.
Só quem quem sofre de profunda iletracia política, ou é prêsa de outros interesses, pode defender semelhante posição, esquecendo a forma de como o sistema se defende a si próprio, sem qualquer respeito pela vontade popular.
Em 2005, todos os partidos, sem excepção, votaram a favor da alteração constitucional, alterando assim a leitura de protesto do voto em branco e dando-lhe o mesmo valor do voto nulo. Em suma, votar em branco ou nulo é não saber  votar... no entanto presiste a convicção de que o voto em branco continua a ser um voto de protesto, não havendo por parte de TODA a classe política, qualquer vontade de esclarecer este assunto.
Assim, um protesto efectivo, representado pela abstenção, votos brancos e nulos ficou reduzido ao valor da abstenção, 47,36%, quando na realidade, se se somarem os votos brancos e nulos, ter-se-ia uma percentagem de 54,17%, o que mostra bem a falta de capacidade mobilizadora dos sectores políticos em Portugal. Ainda seria possível  juntar  os 6,66% que votaram nos independentes, e assim seria atingida uma percentagem de 60,83% de recusa no chamado voto partidário.
Como afirmou no Porto Rui Moreira, se os partidos não perceberam o que se passou no Porto (e ao que parece não perceberam mesmo!), então nunca perceberão o que se está a passar no país!
Assim, e tendo sido demonstrado que a abstenção tem o mesmíssimo valor do voto branco ou nulo, para quê saír de casa para exercer aquilo a que uns chamam direito e outros chamam dever? Além de inútil, a verdade é que o voto em branco, não o nulo, representa proventos para os partidos, dado que são atribuídos proporcionalmente a cada força política, em função dos seus resultados efectivos, com a respectiva compensação por parte do Orçamento de Estado.
É bom que os Portugueses sejam desenganados! Ao votarem em branco, estão a financiar os partidos, que aparentemente pretendem penalizar...
Por isso, mais do que criticar a abstenção deliberada, os Portugueses deveriam entender que essa é de facto a única forma de demonstrar o seu descontentamento em relação a este sistema “sistema” que se auto-protege e se arroga o direito de fazer ínvias leituras políticas sobre os valôres da abstenção, atrevendo-se até a menorizar as vitórias dos chamados “independentes”.
Por outro lado, a “ditadura” partidária, com a maior das prepotencias, avança com listas de “compadres”, ignorando completamente os interesses do seu eleitorado e a seguir, vem afirmar que quem não votou, não tem direito a pronunciar-se sobre os resultados.
Uma redonda mentira!
Se alguém for posto perante uma escolha impossível, tem todo o direito de não escolher, sem que no entanto perca qualquer direito a opinar sobre o assunto.
E assim, cá vamos cantando e rindo, clamando vitórias ou derrotas eleitorais, que mais não correspondem a cerca de 40% dos votos, já que o significado político dos outros 60% foi deliberadamente esvaziado de sentido e significado, sem que essa circunstância apague o direito à indignação de quem não se revê no sistema.
Em virtude destas considerações, e levando em conta que o sistema se auto-preserva sem qualquer escrúpulo ou respeito por quem dele discorda, parece da mais elementar justiça de que alguns cidadãos se orgulhem do direito de não votar.
Na realidade, parece haver uma verdade há muito esquecida: A política existe para servir os cidadãos e não são os cidadãos que devem servir a política!

terça-feira, 24 de setembro de 2013

FUNDAMENTALISMO CONSTITUCIONAL

Últimamente tem-se afirmado aí à boca-cheia de que o Tribunal Constitucional mais não faz do que fiscalizar se determinada lei, está ou não está conforme os preceitos vertidos na Constituição da República Portuguesa.
Realmente parece que assim é, mas é dificil não ficar espantado, por exemplo, com as argumentações aduzidas pelos partidos de esquerda para a fundamentação do seu pedido de fiscalização Constitucional à chamada lei das 40 horas trabalho da Função Pública.
Dizem portanto estes expeditos parlamentares, que esta lei viola os “principios de proibição do retrocesso social, da segurança jurídica e da confiança, a par dos principios da igualdade e da proporcionalidade”.
Pois bem, como é bom de ver, tratam-se de principios não objectivos, antes carregados de subjectividade e que se prestam a qualquer tipo de leitura ideológica. Tratam-se de principios meritórios, mas vagos, que qualquer Juíz do TC poderá intrepertar à sua vontade, produzindo um daqueles acordãos herméticos e floreados, que nada justificam mas tudo condicionam.
Em primeiro lugar há que perguntar onde estavam os paladinos da constitucionalidade durante as quatro décadas em que a maior parte dos Portugueses trabalhou, e ainda trabalha, as proverbiais 40 horas, o vulgarmente chamado “horário de expediente” que os Ingleses chamam de “Nine to Five”.
Então se ao que parece sempre foi Consitucional para a maioria dos trabalhadores Portugueses, porque há de ser agora diferente para a Função Pública? Se não se soubesse bem o que está por trás, poderia parecer um mistério para Sherlock Holmes resolver. Assim não passa de um segredito de Polichinello.
Na realidade, desde que Portugal entrou (por culpa própria, é bom notar) no eufemistícamente chamado, Programa de Reajustamento, nunca o vetusto e hipotéticamente infalível Tribunal Constitucional, permitiu a adopção de qualquer medida que permitisse o ajustamento pelo lado da despesa, impelindo o Governo para atabalhoadas medidas sobre a receita, que essas sim, matam a economia, asfixiando o rendimento disponível das famílias e assustando irresponsávelmente o investimento.
De facto, ou os Juízes do TC acreditam no Pai Natal e esperam um milagre, ou então estão verdadeiramente empenhados em dificultar a vida dos cidadãos, espicaçados por uma esquerda irresponsável, que sempre viveu, e pretende continuar a viver à custa do dinheiro dos outros. A atitude recorrente deste TC faz lembrar o que se passa com algumas seitas religiosas mais fundamentalistas, em que pais preferem deixar morrer um filho em nome da fé, a permitir que lhe seja feita uma transfusão de sangue, em virtude de uma intrepertação enviesada e fundamentalista das leituras Biblícas. É um verdadeiro absurdo!
A verdade é que, mais tarde ou mais cedo, com as suas interpretações fundamentalistas do texto Constitucional, Portugal será lançado de novo na ameaça candente da bancarôta, sendo de novo obrigado a recorrer à ajuda externa.
Nesta perspectiva, bem poderão os Juízes do TC limpar as mãos à Constituição, pois aí irá passar a ser verdadeiramente letra morta, pois se não o fôr, não irá haver dinheiro, nem para salários, nem para pensões, nem para o chamado Estado Social. E nessa altura será interessante saber o que pensarão estas luminárias da Constitucionais, quando lhes forem retirados os absurdos previlégios de que gozam actualmente, e mesmo os seus chorudos salários.
No fundo, salvaguardadas as devidas distâncias, esta gente do Palácio Raton, em muito pouco difere dos Talibans e da sua intrepertação rígida do Corão, independentemente dos custos sociais que possa acarretar.
Que Deus ajude este país e o seu Povo, pois parece que sem intervenção divina, a estupidez e cupidez política dos Homens acabará por nos lançar definitivamente num eterno purgatório!

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

A NAVE DOS LOUCOS.

"A maior de todas as loucuras, consiste em repetir sempre os mesmos procedimentos e esperar pela obtenção de resultados diferentes."
Albert Einstein

O título deste texto, para além de óbviamente não ser original, é provávelmente um dos mais glosados de sempre.

Com origem numa alegoria medieval, posteriormente retratada pelo genial Hyeronimus Bosch, versa sobre ideia da busca irracional da completa felicidade e de um mundo diferente e utópico.

Passados os momentos mais agudos da recente crise política, na qual o Presidente da República procurou um acordo de regime que nos garantisse alguma estabilidade no período chamado de pós-troika, basta uma leitura cruzada sobre as propostas socialistas, para se entender bem onde reside a loucura, voltando a tentar repetir pela enésima vez as mesmas fórmulas que nos levaram ao descalabro, na presunção que desta vez vai ser diferente e a coisa vai resultar.

Um conjunto de medidas que só aumentam a despesa, na esperança de que estimulem a economia para que esta dê os frutos necessários a uma utópica regularização do déficit, e tudo isto na convicção sonhadora de um conjunto de alterações ao memorandum da troika, sem que haja a mínima garantia da  possibilidade de concordância da tríade a essas pretendidas alterações.

Como dizia Margaret Tatcher, os socialistas só conseguem governar, enquanto dura o dinheiro dos outros, e no fundo, é isto mesmo que Seguro nos vem assegurar no desvario das suas propostas. Bem sabemos que esta "Nave dos Loucos" em que se converteu o PS, para lá de um fraco comando, enferma de gravíssimos motins, inspirados e espicaçados por quem já se encontra confortávelmente instalado no bote salva-vidas e se deleita com a eventualidade de uma catástrofe emninente. São deputados frustrados, ex-governantes melindrados e vingativos, para além dos "históricos", que senis e tremebundos, se julgam ainda importantes e julgam que o tempo ainda é de vacas gordas.

E assim, como o comandante Francesco Schettino lançou imprudentemente o navio Costa Concordia contra os rochedos da ilha de Giglio, assim António José Seguro acabou por encalhar o PS no mar encapelado e traiçoeiro em que se tornou a vida política Portuguesa.

A falta de sentido de Estado, a incapacidade de liderar o seu Grupo Parlamentar e a enorme permeabilidade às pressões externas, todas elas ecos de um passado de incúria, despesismo e ineficiência, lançam sobre o líder do PS o labéu de pior Secretário Geral em exercício, desde a fundação do Partido, que nem com um Governo a tomar as mais impopulares medidas de que há memória, consegue descolar nas sondagens.

Infelizmente, dada a fragilidade e inoperância da nossa Democracia e a incompetência do nosso sistema político como um todo, nada de bom auguram os próximos tempos. Vociferam Seguro e seus sequazes de que Portugal tem de ser mais duro e exigente com a Europa e, básicamente, obrigá-la a encontrar as soluções  mais vantajosas para o nosso país. Terá provávelmente razão neste ponto, mas a verdade é que é surrealista acreditar que um líder que não consegue líderar sequer o seu Partido, tenha as condições anímicas e as qualidades  necessárias para se impôr a lideranças políticas Europeias, que só pensam em si próprias e fazem da palavra "solidariedade" um eufemismo que apenas serve para enfeitar as retóricas políticas.

O actual Governo está muito longe de ser um modêlo de coerência política, de eficiência e transparência, mas olhando para a "Nave dos Loucos" em que se tornou o PS, apenas nos resta vestir o smoking e pôr a orquestra a tocar o "Ramona", enquanto o País se afunda lenta e inexorávelmente, puxado para o fundo pelos maiores pesadêlos que o assolaram nestes últimos 30 anos: A União Europeia e a sua arma de destruição maciça, que dá pelo pomposo nome de Euro!



segunda-feira, 15 de julho de 2013

PORTUGAL E O MITO DE SISÍFO

Reza a antiga mitologia Grega, que Sisífo, tendo desobedecido a Júpiter foi condenado a um tipo muito específico de trabalhos forçados: Subir uma íngreme encosta empurrando um pesadíssimo pedregulho, que uma vez no tôpo, rolaria de novo ravina abaixo, obrigando o pobre Sisífo a repetir a tarefa, sem nunca lhe vislumbrar um fim.

Como qualquer lenda, esta tem uma finalidade metafórica, e é frequentemente utilizada para expressar a inutilidade de trabalhos e sacrifícios repetidos sem qualquer vantagem, o que obriga a levá-los a cabo de novo sem qualquer garantia de êxito,mas apenas por não existir qualquer espécie de recuo ou alternativa possíveis.

A situação económico e financeira de Portugal acaba por se tornar no verdadeiro corolário do mito de Sisífo.

Dois longos e angustiantes anos de sacrifícios, de empobrecimento, de baixas expectativas, de desemprego e de desepêro, para no fim e ao cabo, o verdadeiro profeta das prometidas políticas libertadoras se demitir, afirmando com candura que as suas políticas tinham falhado!

Realmente esta situação é verdadeiramente desalentadora. É como se um carrasco, após ter decapitado o condenado, afirmasse com ingenuidadde e bonomia, que afinal não era aquele pescoço que ele queria cortar, e portanto que lhe desculpassem lá qualquer mau jeito, mas iria deixar de exercer tão exigente profissão e tornar-se num mero oficial de diligências, que mais não faria do que notificar possíveis arguidos, sem qualquer outra responsabilidade nos processos.

Já nem vale a pena bater na tecla da irresponsabilidade da entrada de Portugal no Euro, e muito menos da forma completamente incompetente de como foi calculada a paridade ao Escudo. Com isto mataram e esterelizaram a nossa economia: Os preços subiram súbitamente e a nossa competividade desceu de forma tão imediata como a subida dos preços. A Europa, essa entidade indefinida, que aparentemente é representada por uma Comissão que não manda, controlada por um Parlamento sem poderes e que, contra todas as promessas, é conduzida por um directório de países que apenas almejam o seu próprio sucesso, vai andando ao sabôr de muito ventos que se encarregam de gorar qualquer planificação que se possa fazer para melhorar as condições financeira e económica de Portugal.

Ou é um problema de liquidez num país como Chipre, ou são mudanças em coligações de países terceiros, ou ainda eleições na Alemanha, ou qualquer outro assunto que não nos diz directamente respeito. Tudo isto condiciona estupidamente a economia Europeia, principal destino das nossas exportações e assim, já quase no tôpo da encosta, lá vem o Euro para cima de nós, esmagando-nos com o seu insustentável peso, que nos rouba soberania, bem estar e esperança, obrigando-nos a outro inglório recomeço.

É claro que existiram êxitos. Toda a gente o sabe, mesmo os que os negam, mas afinal de que serviram? A dívida está menor? Não! O déficit está controlado? Não! O desemprego está a baixar? Não! O investimento está a aumentar? Não! A economia está a crescer? Não!

Então afinal qual será a verdadeira finalidade destes sacrifícios? Se não são para o nosso bem estar, hão-de ser com toda a certeza para o bem estar de alguém.

A verdade é que o nosso déficit tem uma correspondência directa e efectiva no superavit de outros países Europeus. Na realidade, o nosso desemprego, representa  postos de trabalho na Alemanha e o prejuízo derivado dos juros que pagamos pela nossa dívida, são lucros directos na dívida Alemã e de outros países do Norte, que chegam a pagar(?) juros negativos (?). Já vemos pois por que são eles tão pressurosos em afirmar ao mundo que Portugal “está no bom caminho”! E está de facto, mas no bom caminho deles, não no nosso.

E assim, enquanto não nos libertarmos deste jugo, mais não seremos do que múltiplos Sisífos arrastando pedregulhos pela encosta acima, sabendo de antemão da fatalidade de ter de repetir essa tarefa, vezes e vezes sem conta sem nenhum objectivo alcançável.

É pena! Políticos que se tinham como brilhantes, enterraram-nos num dos maiores logros da História, fazendo-nos acreditar de que alcançaríamos com facilidade a terra onde corre o leite e o mel, esquecendo que Moisés teve de penar quarenta anos no deserto, para apenas a vislumbrar.


Se tivéssemos um Governo corajoso, estaria na altura de bater o pé e dizer: “Ou vocês mudam, ou nós saímos do Euro...”, pois por muitas vozes que afirmem que isso teria um altíssimo e desastroso preço, ainda ninguém teve a coragem de indicar o verdadeiro prêço da nossa teimosa permanência nesta moeda mal parida, mal gerida e que se arrisca a acordar definitivamente os fantasmas que ciclícamente lançaram a Europa em várias guerras suicidárias.

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Eis como se poderia ilustrar bem a situação dos Portugueses, face à Europa e ao Euro:


quinta-feira, 11 de julho de 2013

AVENTURAS E DESVENTURAS DOS JOTINHAS NO PAÍS DO BOLO-REI

Estava perfeitamente claro que a incursão dos intrépidos Jotinhas no País do Bolo-Rei, tinha potencial para dar um resultado desastroso.

Nem os Jotinhas estavam preparados para a aventura, como o Bolo-Rei difícilmente resistiria a devolver em dobro as dentadas que tinha levado. Em suma, assim e com a ironia subjacente, se poderia resumir o que se passou durante a última semana em Portugal.

Poder-se-iam procurar as razões da presente crise nas profundezas da História, mas penso que basta atentar aos últimos acontecimentos para entender bem a falência de um regime idiota e inepto, nascido da ameaça do totalitarismo Marxista e perpetuado pela a oligarquia partidária, que muito para lá das elites, se estende a uma poderosa míriade de pequenos interesses burgueses, regionais, autárquicos ou pessoais, denominados de “bases”, que tal como os mastins, depois de cerrar as mandíbulas sobre o poder, tem uma incapacidade física de abrir os maxilares, dado que estes deixam de responder às ordens da racionalidade cerebral.

De momento temos duas oposições, ambas irrealistas, mas de natureza diferente. Mais à esquerda reina o irrealismo alimentado pelas utopias que ao longo da História se têm mostrado desastrosas, e mais para o centro, lá para as bandas do PS, o irrealismo é diferente, consistindo em prometer aquilo que não depende do seu controlo, que preconizando políticas diferentes, teria fatalmente o mesmo triste destino do Sr. Hollande em França, que tudo ofereceu e tudo tudo teve de renegar, estando agora a sofrer os imensos custos políticos da irresponsabilidade das suas promessas.

Sobre o Governo pouco há a dizer que já não tenha sido constatado. Passos Coelho convenceu-se de que era um Estadista e o tempo veio provar que o não era. Austeridade sobre austeridade levou, não própriamente o País, mas às Famílias quase à bancarrota, tendo o seu principal fautor tirado o corpo fora, demitindo-se através de uma missiva em que assumia o fracasso das suas políticas, passando a batata quente ao seu protector e discípulo, o Primeiro Ministro. Acerca de Paulo Portas, nem vale a pena falar, dado que é sobejamente conhecida a sua apetência para a política palaciana, a qual serve para alimentar o seu incomensurável ego, independentemente das consequências que daí possam advir. Bastava ver o seu ar radiante quando se convenceu que tinha sido o vencedor deste triste braço de ferro.

Restava-nos pois, como último recurso, a intervenção de Cavaco Silva, esperando que da sua comunicação, por entre eventuais migalhas de bolo-rei, saísse uma solução, que na impossibilidade de ser boa, fosse no mínimo aceitável.

Nada mais irrealista!

Cavaco, que directa e indirectamente, ao longo dos ultimos 30 anos é um dos grandes responsáveis pela crise actual, decidiu que estava na hora de agir, e como de costume, fez asneira!

Após a crise despoletada pela demissão de Gaspar, seguida da de Portas, a Cavaco apresentavam-se três alternativas: Dissolver a AR, convocando eleições, manter o Governo, aceitando o plano da coligação, ou no limite, promover um governo de iniciativa presidencial. Pois Cavaco conseguiu surpreender o País: Encontrou uma quarta solução, porventura a mais desastrada de todas. Põe o Governo no quadro de mobilidade especial durante nove meses, anunciando eleições antecipadas para daqui a um ano e tenta forçar um acordo de regime que por muito que seja assinado, dificilmente será respeitado, e lá vai o País, contente e lampeiro, avisar a Troika e os mercados de que está tudo bem.

Não se vislumbra bem o que passou pela cabeça de Cavaco, para além de duas evidências: Não confia em Seguro, o que se compreende, e simultâneamente vinga-se de Passos e de Portas pelo vexame que em que consistiu a posse de Maria Luis Albuquerque. No meio disto tudo, quem paga a factura é o Povo Português. Edificante!

Toda a introdução inicial sobre a necessidade de estabilidade política, invocando as razões que desaconselhavam a dissolução da AR, o risco de um segundo resgate, a desconfiança dos mercados, etc... foi totalmente destruída pela insólita solução encontrada pelo PR e expressa na segunda parte da sua comunicação. Metafóricamente, dir-se-ia que Cavaco agiu como aquelas crianças que constroem um elaborado castelo de areia na praia, e depois, enfadadas, dão-lhe um pontapé. Convenhamos que é pouco compreensível, ou se calhar talvez não...

Mas de facto, feito o mal e a caramunha, não vale a pena estar com a faca nos dentes à procura de culpados, pois para lá dos suspeitos do costume, em última análise, culpados são TODOS os Portugueses que ao longo dos últimos quarenta anos aceitaram e participaram no logro que é este jogo político, a que pomposamente chamam de Democracia. Agora o que resta é procurar rápidamente abrigo, pois as bombas vão começar a chover e com muita intensidade. Pode ser que numa aberta, seja possível alterar este pusilanime sistema político e substituí-lo por algo realmente mais democrático e eficiente.

Infelizmente parece ilusório que as coisas mudem com a rapidez necessária. Às portas de umas eleições autárquicas, o regime vai-se emproar como os pavões e tentar exibir as qualidades que não tem, e infelizmente muitos Portugueses vão acreditar. Com esta solução pseudo-salomónica de Cavaco, o País, que tanto necessita de decisões de fundo, vai passar os próximos doze meses avassalado pela vacuídade de uma interminável campanha eleitoral, cheia de acusações e promessas incumpríveis, na expectativa das anunciadas eleições antecipadas ao retardador e que provávelmente nada irão resolver. Afinal parece que definitivamente conseguimos entrar na trágica rota Grêga.

Resta pois esperar, para quem é crente, que Deus os ajude, para quem o não é, então salve-se quem puder!

sexta-feira, 21 de junho de 2013

A AURORA DOS DESVALIDOS

Ao que parece, ninguém ficou espantado com as manifestações na Turquia. Foi fácil de entender que existiam duas Turquias em confronto: Uma mais progressista e ocidentalizada e uma outra conservadora e de tendência islâmica.
Para o comum dos Ocidentais, este era um confronto natural, algo que opunha a modernidade a um Islão bafiento e castrador, desrespeitador dos direitos humanos e da igualdade de género. No fundo, todos compreenderam o problema da sociedade Turca, que como é bom de ver, não se resumia à re-urbanização da praça Thair.

Já quando o fenómeno se replicou no Brazil, já se extremaram aí as posições, havendo pessoas que o conotaram com grandes movimentos sociais de tendência anarquista e esquerdizante, ignorando totalmente que 30 milhões de Brazileiros entraram na classe média nos últimos 20 anos, logo com acesso a informação e tecnologias A que antes não tinham acesso, fenómeno aliás que, mais tarde ou mais cedo haverá de ser replicado na China.

Claro que o “Black Block” lá apareceu a partir montras e a incendiar carros, como tem aparecido em todo o lado em que se esboce o mais pequeno movimento de carácter social. Normalmente são uma centena no meio de milhares, mas atraem as câmaras de vídeo e os fotógrafos,como uma lâmpada atrai as borboletas noturnas, e claro, os “media” adoram apresentar a versão violenta, nunca a versão pacífica.

Com estas duas explosões sociais, parece termo-nos esquecido de vários movimentos do mesmo tipo, passados em vários países da Europa, para já não falar da aparentemente tão distante Primavera Árabe.

O que se passa,é uma profunda desadequadação das nossas democracias, ditas Ocidentais, com o seu organigrama rígido e arcaico, às novas formas de comunicação, congregação e mobilização que têm tido origem na internet.

Aliás parecemos estar esquecidos que logo no dia seguinte aos ataques da Al Qaeda na estação de Atoxa em Madrid, José Maria Aznar foi liminarmente apeado do poder, através de SMS’s que o acusaram, e com justiça, de mentir ao povo Espanhol sobre a autoria dos atentados, e assim, Zapatero apanhou o poder por acaso, dado que estava muito atrás de Aznar nas sondagens.

Para qualquer observador mais atento, este caso poderia ter indiciado o que aí vinha, mas convenhamos que os políticos contemporâneos não primam pela sua atenção ao que se passa fora dos seus casulos de poder tecidos em interesses e ambições pessoais.

A fraude em que consiste a base das Democracias Ocidentais, radica na ideia que basta votar de vez em quando em políticos escolhidos pelas chefias, ter algum activismo sindical ou institucional, para que a Democracia seja plena e funcione regularmente.

A verdade é que não o é!

Embora apregoem com veemência a liberdade de expressão, antes das novas tecnologias, raros eram os que tinham acesso a orgãos de informação, pelo que a liberdade de expressão pouco mais era do que aquilo que era dito em conversas de café, jantares de curso ou durante um jogo de sueca.

Subitamente, com o crescimento explosivo de utilizadores das redes socias, com destaque para o Facebook e Twitter, a liberdade de expressão assumiu foros anteriormente inimagináveis, e a capacidade de mobilização, por uma vez, passou a residir na Sociedade Civil no seu geral, que é como dizer, na ponta dos dedos de cada indivíduo.

As petições públicas proliferaram como cogumelos, sendo facílimo atingir por via electrónica o numero de assinaturas mínimo, que anteriormente em muito restringiam a sua chegada aos parlamentos. Brotaram movimentos cívicos com fartura e vastas multidões conseguiram ser mobilizadas para aquilo a que o “stablishment” político, timoratamente apelidou de movimentos inorgânicos.

A incapacidade de lidar com este fenómeno traz consigo uma enorme necessidade de inovar os procedimentos políticos. Queixam-se os responsáveis de que, sendo estes movimentos inorgânicos, não há verdadeiramente interlocutores com quem negociar, e esse é o grande desafio: Quando o Povo não se sente representado pelos seus políticos, não existe negociação possível. Apenas há que escutar com atenção a “Rua” e atentar nos grandes anseios dos cidadãos, procurando inflectir as insatisfações, senão totalmente, pelo menos parcialmente.

A arrogância política tem de dar lugar à humildade do Serviço Público, e os Governos terão de agradar mais aos seus cidadãos do que às clientelas, nacionais ou internacionais que, como moscas, gravitam à sua volta. Será possível admitir que uma Europa inteira esteja a sofrer privações em função das eleições Alemãs???

Claro que seria ingenuidade pensar que os políticos do “stablishment” não tentam calvagar esta onda. Claro que o fazem, e a maior parte das vezes sem nenhuma vergonha na cara e com a conivência promíscua da Comunicação Social, o que aliás os afasta cada vez mais das suas bases sociais, coisa que parece não terem ainda entendido.

De um modo geral, o Homem é conservador e as Sociedades não são propensas a grandes mudanças, a não ser quando a corda estica demais e o divórcio entre elas e a classe política se torna irreversível. Esperemos portanto que exista um mínimo de inteligência para entender que algo tem de mudar.

Mudar e mudar muito!

O poder político tem de deixar de viver em mancebia com o poder económico pelo qual se deixou capturar. Como bem notou o movimento “Occupy Wall Street”, têm de ser os 99% a mandar e não o 1% que actualmente detém o poder. Os Governos e restantes poderes institucionais, reféns de sistemas partidários obsoletos e de constituções monolíticas que não conseguem acompanhar a velocidade dos tempos, têm de perder o monopólio absoluto que exercem sobre a vida política e deixar que sejam os cidadãos a escolher os seus representantes legítimos, coisa que com o sistema parlamentar representativo, raramente, ou nunca acontece.

Em boa verdade, todas as velhas teorias políticas, apoiadas em teorias económicas completamente obsoletas, elaboradas em alturas em que não existia dinheiro virtual nem as famosas “off-shore”, já não servem, principalmente a uma juventude que nasceu com as novas tecnologias e as entende como uma realidade da sua vida e uma arma para condicionar o poder político. É bom pois que a classe política faça um rápido “upgrade” aos seus processos e comece a lidar com estas novas realidades, pois como qualquer grande mudança social, esta tanto pode trazer benefícios se inteligentemente entendida, como trágicas consequências se olimpicamente ignorada.

segunda-feira, 29 de abril de 2013

A SENSAÇÃO DE PODER.


Em 1957, o visionário escritor Isaac Asimov escreveu um conto que tinha por título “A Sensação de Poder”. Esse conto, em resumo, passa-se numa sociedade futura, dominada pelos computadores, na qual um humilde técnico, pessoa modesta e apagada, percebe que pode manipular os números sem computador de modo a obter os mesmos resultados. Em suma, redescobre a aritmética, há muito tempo esquecida nessa Sociedade futura!
Nos meios militares, a constatação de que alguém conseguia “computar” sem computador, abriu um sem número de possibilidades militares e perante a aterradora ideia de que a sua “(re)descoberta” iria servir para incrementar a guerra, Myron Aub – assim se chamava o homem, suicida-se.
Durante as exéquias funebres, o Programador Shuman, responsável pelo projecto, tem este singular pensamento: ”Nove vezes sete, pensou Shuman com orgulho, sessenta e três. Não precisava mais que um computador lhe dissesse isso. Sua própria cabeça era um computador. E isso lhe dava uma fantástica sensação de poder.”
E assim termina o conto, um verdadeiro caso de antecipação da realidade, sobre o qual o próprio Asimov escreve o seguinte:

No meu conto “A Sensação de Poder”, publicado em 1957, lancei  mão de computadores de bolso, cerca de dez anos antes de tais  computadores se tornarem realidade. Cheguei mesmo a considerar a possibilidade de eles contribuírem para  que as pessoas acabassem perdendo a capacidade  de fazer operações aritméticas à maneira antiga.”

A verdade é que cada vez mais nos fomos habituando a que os resultados apresentados pelas calculadoras e pelos computadores são infalíveis, e como tal, jamais os questionamos.
Esquecemo-nos a maior parte das vezes que qualquer programa processado numa folha de cálculo mais ou menos complexa, não passa de um algoritmo, cujo resultado sempre dependerá da correcção da formulação das operações a executar e da correcção com que são introduzidas as variáveis afectas àquilo que se pretende apurar.
Ao não questionar a construção do algoritmo, ficamos à mercê das potenciais imprecisões contidas nos resultados obtidos e logo, das suas consequências.
Se em muitos casos esta situação não traz males de maior, casos há que se podem tornar dramáticas, tal como alterar a órbita de um satélite, esborrachar um avião contra uma montanha, e até iniciar uma guerra inadvertidamente.
Já foi profundamente escandaloso que o FMI viesse confessar o êrro no cálculo do multiplicador utilizado na medição dos efeitos recessivos da austeridade. Não era afinal de 50 cêntimos por Euro poupado, como defendiam e em que baseavam os cálculos, mas qualquer coisa que anda entre os 90 cêntimos e 1,7 Euros!
Claro que depois ficaram muito surpreendidos com os números do desemprego e a dificuldade de equilibrar as contas públicas nos países sujeitos a fortes programas de austeridade.
O caso mais recente, e aparentemente escandaloso, foi a teoria  de Carmen Reinhart e Kenneth Rogoff, o qual se tornou a bíblia sagrada para gente como Vitor Gaspar, Wolfgang Schäuble, Geroge Osborne (Ministro das Finanças do Reino Unido), Oli Rehn e mais uma série de personagens com responsabilidade directa nas políticas de austeridade que estão a ser aplicadas a eito na União Europeia. Este estudo, que concluía que países com uma dívida pública acima dos 90% do PIB nunca conseguiriam crescer, foi agora contestado em vários aspectos:
Em primeiro lugar, este estudo exclui logo à partida países que se afastam do resultado que os autores pretendem demonstrar, com as consequências estatísticas previsíveis. Em segundo lugar, na calibragem destes dados, os coeficientes são iguais para todos os países, o que corresponde em linguagem popular a “misturar alhos com bogalhos”. Finalmente, um erro de código na folha de cálculo (vulgo Excel) utilizada para seleccionar dados, altera em definitivo os resultados finais do estudo.
Despeitados, estes eminentes economistas vêm assumir o erro, mas defendem que as conclusões continuam a estar certas (?).
Todas as revistas científicas e publicações especializadas publicaram o estudo, dando-lhe uma falsa credibilidade, a qual só foi abalada pelo trabalho de académicos da Universidade de Massachusetts, os quais Rogoff se apressou a acusar de querem politizar a questão (!).
É de gritos! Então um estudo que, no mínimo influenciou negativamente toda a economia Europeia não é uma questão emininentemente política?
E é aqui que entronca o simbolismo do conto de Asimov.
Esquecemo-nos de fazer contas. São demasiado complexas e trabalhosas, além de levam muito tempo a fazer, e como se sabe “time is money”... Tomamos como garantido qualquer resultado vomitado por um computador, sem sequer o questionar, eliminando assim a possibilidade de encontrar uma falha electrónica ou humana. Engolimos tudo o que nos dizem, e concretamente sobre a Ciência Económica, ficamos de gatas perante os intitulados “gurus” da economia esquecendo que há uma variável em toda esta situação que jamais poderão sistematizar: O comportamento humano em toda a sua diversidade, racionalidade e irracionalidade, frieza e emotividade e em todas as outras vertentes em que o nosso comportamento é diferente do comportamento de um “chip” de silício.
Enfim, precisamos de voltar a saber quanto são nove vezes sete sem auxilio de calculadora ou computador. Talvez assim recuperemos a verdadeira Sensação de Poder!

** Em desejando ler o conto referido, clique AQUI.