quinta-feira, 9 de agosto de 2012

EUROPA: UMA UTOPIA PERVERSA.



Quando oiço o geronte Mário Soares vituperar as actuais lideranças Europeias, recordando com a nostalgia própria dos velhos, figuras como Miterand, Kohl ou Delors, pergunto-me onde estava a cabeça dessa tão decantada elite, quando deu os passos temerários e inconscientes que levaram a Europa à beira do abismo, no qual muito provávelmente se irá despenhar com fragor.
Oiço amiúde críticas à fraca qualidade dos lideres Europeus e à sua incapacidade de travar a crise económica que assola a Europa, e portanto não posso ouvir com passividade os elogios balôfos feitos aos verdadeiros obreiros do buraco em que estamos enfiados.
Há dias, António Correia de Campos afirmava no jornal Público: “Será possível transformar Merkel em Kohl, Hollande em Miterand e Barroso em Delors? Será esse o problema como muitos acreditam? Não me parece, e, de resto, esses génios teriam certamente previsto a crise e atalhado o seu alastramento logo de início.”
Génios?! Então não era previsível que a instituição de uma moeda única, por si só iria criar todas estas assimetrias e desigualdades? Eu, que de génio nada tenho, sempre tive no meu horizonte esta perspectiva de falhanço, como aliás uma parte considerável de gente bem pensante que ao longo dos anos se tem exibido regularmente nas tribunas televisivas.
Génios?! Como seria possível acreditar numa Europa que durante mais de 1.500 anos se entreteve com uma admirável constância a guerrear-se mutuamente? Onde não só existem muitas linguas diferentes, como até mesmo outros alfabetos. Como ignorar olimpicamente todas as clivagens e desavenças de ordem cultural e política que na realidade forjaram a Europa como entidade?
Génios?! Mas quem acredita que se possa instituir uma unidade política nesta Torre de Babel em que o dito Projecto Europeu se tornou? Será possível acreditar que algumas vez existirá um governo democrático na Europa? Como conseguirão acautelar os interesses dos países com menos expressão eleitoral no quadro Europeu? Como agir a tempo e horas, se decisões críticas têm de passar por 27 parlamentos com interesses e ideologias diferentes?
Génios?! Será genial quem pensa que assinando uns tratados sem curar da opinião do seu elitorado, tem alguma base sólida para uma união política e apaga séculos de desavenças? Haverá alguma casa habitável apenas possuindo o ntelhado sem os devidos alicerces? Como aceitar que um campónio de Boliqueime tenha assinado um tratado com a importância de Maastrich, sem auscultar minímamente o seu eleitorado, sob o pretexto de que a matéria era demasiado complexa para se submeter a referendum. E aí está o resultado: Vendida a soberania a troco de uns quilómetros de auto-estrada, arrancada parte da vinha e do olival, bem como a frota pesqueira e marinha mercante, como contrapartida dos célebres dinheiros Europeus, Portugal transformou-se num prostituto que se foi vendendo a troco de tudo e de nada até à decadência actual, em que a única coisa que lhe resta é assumir a vergonha pelo passado recente com a dignidade possível!
A inevitável globalização veio fazer tremer os alicerces das teorias económicas clássicas e assiste-se ao espectáculo deplorável da transformação dos economistas em quiromantes, cada um opinando à sombra do seus prémio Nobel, a visão que adivinha para o futuro. Para isso, bastava ir à bruxa!
Génios?! Bem... presunção e água benta, cada um toma a que quer, como diz o Povo na sua milenar sabedoria. Falam à boca-cheia no exemplo federal dos EUA, fraco exemplo de pouco mais de duzentos anos e erigido à custa do genocídio dos seus legítimos ocupantes. País feito a partir da pior matéria prima que a Europa excretou para lá, bem como para a Austrália. País que se federou através de uma sangrenta guerra cívil e em que os cidadãos, à boa tradição do Velho Oeste, andam armados até aos dentes e se entretêm de tempos a tempos a praticar chacinas gratuítas contra inocentes cidadãos. Enfim... Se este é o exemplo, não, obrigado!
Para bem do nosso futuro, este atamancado Projecto Europeu vai ruír como um castelo de cartas, pois nada mais é do que isso. A verdade, que ninguém ousa admitir, é que a Europa, como projecto, não é sustentável e vai inevitávelmente falir!
Tempos difíceis advirão, parte das regalias tomadas como adquiridas vão desaparecer, as animosidades vão recrudescer e os países Europeus voltarão a assumir a sua forma de “puzzle”, procurando assim a melhor maneira de se encaixarem uns nos outros, como sempre foi. Vão voltar as invejas, os ódios de estimação e toda a sorte de emoções que os pretensos “Pais Fundadores” da Europa quiserem esterilizar e modificar genéticamente.
Para finalizar, se os Portugueses estudarem um pouco de História, perceberão fácilmente que de Europeus mais não têm do que a posição geográfica. Fora isso, não somos, nunca fomos e nunca seremos Europeus.
Sempre nos bastou ser Portugueses!